terça-feira, 28 de junho de 2011

6º CONGRESSO ESPÍRITA DO RIO GRANDE DO SUL

terça-feira, 21 de junho de 2011

 A INFLUÊNCIA DOS PAIS SOBRE OS FILHOS
      “Os Espíritos dos pais  exercem alguma influência sobre os dos filhos, após o nascimento destes?

     __ Exerce, e muito, pois como já dissemos, os Espíritos devem concorrer para o progresso recíproco. Pois bem, os Espíritos dos pais tem a missão de desenvolver os dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa: Se falharem, serão culpados”. (Allan Kardec - O Livro dos Espíritos, Questão 208).


     Instruir significa oferecer conhecimentos a alguém, ministrar-lhe ensinamentos que, via de regra, são obtidos em estabelecimentos estudantis próprios para tal fim, enquanto educar é formar caráter, tarefa preponderante da família.

     Uma pessoa pode ser instruída sem ser educada. A sociedade está repleta de exemplos dessa natureza, no entanto, quem é educado também é instruído, pois que a educação pressupõe uma ação mais completa.

     Sendo Espíritos imortais, criados por Deus na simplicidade e na ignorância, com a proposta de alcançarmos a perfeição à partir dos nossos próprios esforços, em busca do aprimoramento pessoal, saímos um dia das esferas espirituais para uma existência na Terra, trazendo na bagagem inúmeras metas a serem alcançadas, tendo em mira a nossa prosperidade e evolução.

     Renascidos neste mundo, sob a guarda e tutela dos pais, neles depositamos nossas esperanças de concretização dos nossos sonhos, contando com a imprescindível colaboração deles, o que possibilitou a nossa caminhada até aqui, com as condições devidas para que colhêssemos os frutos das semeaduras que fizemos.

     Da mesma forma, nossos filhos, em idênticas condições e desejos, também aspiraram progresso e melhoria, despertando em nossos braços dentro de um novo processo reencarnatório. Buscam por aperfeiçoamento e evolução e confiaram em nossas mãos seus anseios de crescimento espiritual.

     Sendo assim, é indispensável compreender que a paternidade é, sem dúvida, uma das maiores missões que alguém possa receber sobre a face da Terra. Tarefa de extrema e capital importância, pois que dependendo da responsabilidade e dedicação como é executada, contribuiremos para a formação de uma sociedade mais justa, fraterna e humana ou criaremos núcleo de indivíduos desajustados, inconseqüentes e imaturos que comprometerão a estabilidade do organismo social em que mourejamos.

     Nenhum pai e nenhuma mãe poderá desconhecer a gama de responsabilidades que pesa sob seus ombros. A cada um deles Deus perguntará, através das suas próprias consciências : o que foi feito dos filhos que a eles foram confiados?

     Assim, é indispensável criar condições para que nossos filhos se instruam, mas é imprescindível que nos esforcemos até as raias do sacrifício para educá-los.

       E, incontestavelmente, a melhor e mais adequada forma de ensiná-los a viver com dignidade, respeito, responsabilidade e honradez é exemplificando tais virtudes, pois que os genitores são os primeiros e os mais fortes referenciais que os filhos encontram.

     Que os pais exercem reconhecidas influências sobre os filhos ninguém tem dúvidas, o que realmente precisamos refletir, maduramente, é sobre a qualidade dessas influências, pois que no momento nota-se significativa parte da infância, adolescência e juventude carregadas de problemas e carentes de um postura mais digna, fatores que poderão, sem dúvida, comprometer a reencarnação de muitos que planejaram progresso e evolução.

     Como se sentirão os pais, nos dias do futuro, ao tomarem consciência de que a falência e a derrocada dos filhos decorreram do descaso, omissão e indiferença deles diante da inadiável tarefa de educá-los e que deixaram de realizar?

     Da mesma forma, qual será o tamanho e a dimensão da alegria e da satisfação dos genitores que não descuidaram da missão de educar a sua prole, ao ver os filhos enquadrados na ordem dos homens de bem?

     Reflitamos...ainda há tempo...

sábado, 11 de junho de 2011

Em dia com o Espiritismo

Paz e discórdia

Marta Antunes Moura
    Na atualidade essa passagem evangélica ainda é motivo de controvérsias religiosas, sendo às vezes utilizada para justificar atos contrários à moral ensinada e exemplificada pelo Cristo. Nada mais justo, portanto, do que buscar esclarecimentos que auxiliem a correta interpretação do simbolismo “espada”, presente no texto de Mateus. Armando-se de prudência, o interpretador não se deixa sucumbir pelo jugo da letra, apoiando-se no lembrete de Paulo de Tarso: “Pois a letra mata,mas o Espírito comunica a vida” (2 Coríntios, 3:6).2
    Nessas condições, é possível extrair a essência do verdadeiro significado da mensagem cristã, livrando-a de adulterações de qualquer natureza. Deve-se levar em conta que a interpretação simbólica de textos religiosos, independentemente da religião, exige ponderação e discernimento por parte do estudioso, estando este consciente dos prejuízos que uma análise superficial ou apressada pode resultar para o adepto.
    Em termos históricos, a palavra símbolo vincula-se a outras:

[...] alegoria, atributo, metáfora, parábola, emblema, arquétipo, sinal de sorte, hieróglifos, sinais elementares.Cada um desses conceitos pode fazer parte de uma área de estudo multidisciplinar. 3

    Na verdade, a interpretação dos símbolos remonta às tradições muito antigas, fazendo parte do programa desenvolvido nas escolas i
niciáticas e nas sociedades secretas. De acordo com Udo Becker,

[...] Na origem da palavra símbolo encontra-se o verbo grego symballein, que significa reunir, juntar. O substantivo correspondente é  symbolon. A palavra “symbolon” é encontrada pela primeira vez no Egito antigo num selo de chumbo do tipo dos que se usavam na Antiguidade como uma espécie de marca de identidade, confeccionado de diferentes materiais – chamados  tesserae em latim. [...] Mas ao mesmo tempo o verbo  symballein passou a ser usado em expressões que descreviam a ideia de reunir, de ocultar ou encobrir. Portanto, o sinal transformado em símbolo encobria, dissimulava o sentido aberto do que era representado ou de uma expressão: quem não era iniciado não podia mais entender a expressão assim oculta. 3

    Por outro lado, era uso corrente o vocábulo  symbolum, exclusivamente utilizado pelos religiosos, para indicar “[...] os artigos de fé de uma comunidade religiosa resumidos em poucas afirmações fundamentais, com o qual sempre estava associado algo misterioso, um arcano”. 3 Contudo, com o passar do tempo, e dentro do contexto cultural, o símbolo passou a ser identificado como algo evocativo, místico ou mágico, um  meio que permite expressar conteúdos mentais: ideias, crenças, sentimentos, vontade, estado de espírito etc.
     Em consequência, qualquer interpretação simbólica, no presente, exige um certo grau de maturidade espiritual e conhecimento especializado, sobretudo porque, diante de “[...] um número incontável de símbolos ou sinais simbólicos, toda seleção será sempre uma seleção  pessoal, consciente ou inconscientemente feita pelo autor” . 3
     Retornando ao texto evangélico, citado no início do artigo, é oportuno inserir a seguinte interpretação de Emmanuel, relativa ao aludido versículo do Evangelho – “Não penseis que vim trazer paz sobre a terra. Não vim trazer paz, mas espada”:

Inúmeros leitores do Evangelho perturbam-se ante essas afirmativas do Mestre Divino, porquanto o conceito de paz, entre os homens, desde muitos séculos foi visceralmente viciado. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores, dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados, rodeando-se o homem de servidores, apodrecendo na ociosidade e ausentando-se dos movimentos da vida. Jesus não poderia endossar tranquilidade desse jaez [...]. 4

    Entretanto, o que dizem os orientadores espirituais sobre o simbolismo “espada”, inserido na citação evangélica? Emmanuel elucida com sabedoria, a respeito:

[...] em contraposição ao falso princípio estabelecido no mundo, [Jesus] trouxe consigo a luta regeneradora, a espada simbólica do conhecimento interior pela revelação divina, a fim de que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento em si mesmo. O Mestre veio instalar o combate da redenção sobre a Terra.Desde o seu ensinamento primeiro, foi formada a frente da batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. E Ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. 4

    A interpretação literal dessa lição evangélica é estímulo à discórdia e às lutas fraticidas, sempre  geradoras de tragédias e sofrimento. A medida de equilíbrio que se aplica é, então, avaliar: a) que tipo de paz buscamos, a da vaidade humana ou a do Cristo? b) Que instrumentos devemos utilizar para obtê-la?
Por meio de uma reflexão séria e honesta, fica mais fácil perceber que

É indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo. A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento. A serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz Imortal. O mundo consegue proporcionar muitos acordos e arranjos nesse terreno, mas somente o Senhor pode outorgar ao espírito a paz verdadeira. 5

    Resta-nos, pois, ficar atentos às ponderaçoes do Benfeitor:

Há muitos ímpios, caluniadores, criminosos e indiferentes que desfrutam a paz do mundo. [...]
Não te esqueças, contudo, de que a paz do mundo pode ser,muitas vezes, o sono enfermiço da alma. Busca, desse modo, aquela paz do Senhor, paz que excede o entendimento, por nascida e cultivada, portas adentro do espírito, no campo da consciência e no santuário do coração. 5

A espada simbólica anunciada pelo Cristo procura, à luz do Espiritismo, remover imperfeições morais manifestadas nos pensamentos, palavras e comportamentos dos indivíduos que ainda não conseguem abrir mão dos prazeres fictícios e transitórios da existência. Afirma Emmanuel:

Sim, na verdade o Cristo trouxe ao mundo a espada renovadora da guerra contra o mal, constituindo em si mesmo a divina fonte de repouso aos corações que se unem ao seu amor; esses, nas mais perigosas situações da Terra, encontram, nele, a serenidade inalterável. É que Jesus começou o  combate de salvação para a Humanidade, representando, ao mesmo tempo, o sustentáculo da paz sublime para todos os homens bons e sinceros. 4

Referências:
1 DIAS, Haroldo Dutra. (Tradutor.) O novo testamento. Brasília: EDICEI, 2010. p. 74.
2 BÍBLIA DE JERUSALÉM. (Tradutores diversos.)
3. reimp. São Paulo: PAULUS, 2004. p. 2019. 3 BECKER, Udo.  Dicionário de símbolos. Trad. Edwino Royer. São Paulo: Paulus, 1990. Prefácio, p. 5.
4 XAVIER, Francisco C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 104, p. 223-224.
5 ______.  Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. ed. esp. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 105, p. 225-226.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vídeo de Divulgação XXIV CONJERGS

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Casas e Causa

Antonio Cesar Perri de Carvalho
    No Movimento Espírita é natural que exista a preocupação com a existência de sedes das instituições e, se possível, que sejam próprias.
    Nessas sedes se desenvolvem as atividades em geral e, no contexto atual, é desejável que elas ofereçam conforto e boa aparência sem, no entanto, resvalar na grandiosidade e no luxo. Evidentemente que devem ser adequadas ao cumprimento de suas finalidades e também ao meio onde foram edificadas.
    A propósito, Emmanuel assim define o Centro Espírita:
Um centro espírita é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna.
    E  André Luiz sugere sobre as condições físicas: “O recinto das reuniões pede limpeza e simplicidade”.
    A análise histórica poderá ser boa conselheira no sentido de se verificar o que ocorreu com os movimentos religiosos que se fundamentaram nas edificações materiais e na estrutura organizacional.
    Com base em Paulo – “Temos um altar” – Emmanuel comenta sobre o “Altar íntimo”:
Até agora, construímos altares em toda parte, reverenciando o Mestre e Senhor. [...] Materializado o monumento da fé, ajoelhamonos em atitude de prece e procuramos a inspiração divina. [...] Apresentemos, portanto, ao Senhor as nossas oferendas e sacri fícios em quotas abençoadas de amor ao próximo, adorandoo, através do altar do coração, e prossigamos no trabalho que nos cabe realizar. 
    Sobre o assunto, também merecem atenção as sedes de Órgãos e de Entidades Federativas,que têm a tare fa de dinamizar a união e a unificação.
    O documento de trabalho Orientação aos Órgãos de Unificação, aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, define conceitos relacionados com o tema, como as ações de Entidade Federativa como Centro Espírita e campo experimental:
Em algumas condições a Entidade Federativa pode executar ações chamadas de campo experimen tal.O campo experimental, agregado à própria Entidade Federativa, ou a um ou mais Centros Espíritas por ela designados, deve ser entendido como um local onde estão sendo implementados projetos, pesquisas e programas de estudo e de prática, inclusive com o objetivo de avaliá-los e convalidá-los. Historicamente, a Entidade Federativa pode ter se estruturado em um Centro Espírita e este pode ter mantido suas atividades, que não devem ser confundidas com as de campo experimental. A estrutura e as atividades que caracterizam um Centro Espírita devem atender às recomendações de Orientação ao Centro Espírita. A Entidade Federativa que mantém campo experimental ou um Centro Espírita deve priorizar suas atividades federativas, de forma coerente com seus estatutos. O campo experimental ou o Centro Espírita podem colaborar com a formação de equipes de  trabalho para as atividades federativas, nas quais devese privilegiar a participação representativa e as experiências bem sucedidas de todo o território de abrangência da Federativa.
    A sede física de um Órgão ou Entidade Federativa deve ser entendida como um ponto de referência.Na realidade, devese trabalhar com o conceito ampliado de sede – estendida –, e relacionada com a seara espírita e a comunidade em que se inserem.
Entendese por atividade federativa as ações que visem a difusão da Doutrina Espírita, a união fraterna entre as instituições espíritas e os espíritas, bem como o apoio aos Centros Espíritas, propiciando o trabalho em equipe e a preparação de trabalhadores. As ações devem ser implementadas pela Entidade Federativa e seus órgãos, em todo o território de sua abrangência.
    As sedes devem ser entendidas como postos de trabalho, prioritariamente voltadas para a preparação de trabalhadores espíritas.O foco de atenção dos trabalhadores e o públicoalvo não devem estar circunscritos a trabalhos internos, ou seja, às atividades intramuros.A ação envolve toda a área de abrangência do Órgão ou da Federativa.
    O desenvolvimento de atividades com base em objetivos bem definidos enseja condições para o planejamento consubstanciado em prioridades. A execução do plano de trabalho da instituição é fim, enquanto a sede e as necessárias estruturas organizacionais são meios.A edificação física e a orga nização administrativa são im portantes, mas a dinamização das atividadesfim são indispensáveis, para que “prossigamos no trabalho que nos cabe realizar” .
    As soluções para os problemas administrativos, inclusive das sedes das instituições, e as recomendações para as suas atividades “devem ter como parâmetro o que é simples e viável para a maioria das instituições” brasileiras, pois urge a difusão dos princípios espíritas em todas as faixas sociais, até mesmo favorecendo o acolhimento dos simples no Movimento Espírita.
    A transição para a Nova Era já se inicia e o Espiritismo deve “cumprir seu papel – de consolo, apoio, esclarecimento e contribuição para a libertação espiritual” .
    A Causa é mais importante do que a Casa!


Referências
1 AVIER, Francisco C. O centro espírita. Pelo Espírito Emmanuel.  In: Reformador, ano 59, n. 1, p. 9(5), jan. 1951.
2 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 10.
3 HEBREUS, 13:10.
4 XAVIER, Francisco C. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 93.
5 CARVALHO, Antonio Cesar Perri de (Organizador). Orientação aos órgãos de unificação. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 8, it. 3.1, subit. Conceituações, p. 91-92.
6 ______. União com fidelidade, simplicidade e fraternidade. In: Reformador, ano 129, n. 2.185, p. 29(147)-31(149), abr. 2011.
7 ______. Acolhimento dos simples.  In: Reformador, ano 129, n. 2.183, p. 22(60)-24(62), fev. 2011.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

 AGRADECENDO
Algo extremamente nobre que o ser humano pode produzir – A gratidão.
Beneficia quem oferta, recompensa quem recebe.
E para que sejamos gratos, um pouco de nostalgia faz bem, relembrar nossa história e aqueles que fizeram parte de nossa vida em determinado momento da existência,  não deixa-nos esquecer do bem que fizeram-nos e das situações que vivenciamos.
Se estamos aqui hoje demos graças a Deus e a nossos pais.
Se recebemos instrução nos orientando as primeiras letras,  demos graças a nossos primeiros professores.
O que falar então dos amigos de infância que nos trouxeram inúmeros momentos de recreação,  fazendo-nos mais felizes e proporcionando-nos as primeiras experiências fora do seio familiar.
Como esquecer de nossos colegas de profissão que nos acolheram e orientaram quando iniciávamos em nova atividade profissional.
E as criticas, as reprimendas que ganhamos de nossos pais, professores, coordenadores, foram elas nossas preciosas mestras, fazendo-nos retomar o caminho do bem quando dele nos afastávamos.
Imagine o que seriamos  hoje se não nos colocassem limites mostrando-nos que nosso direito vai até onde começa o do próximo, pode ser que na época tenhamos nos melindrado, porém, mais amadurecidos pelas experiências de vida,  damo-nos conta de que criticas, reprimendas, fizeram-nos enorme bem auxiliando-nos a moldar valores que jamais perderemos.
Cada ser humano que passa pela nossa vida é motivo de eterno agradecimento, porquanto,  lega-nos sua peculiaridade, suas lições, sua bagagem de conhecimento, mesmo àqueles que julgamos desnecessário termos conhecido, ou até mesmo que a presença tenha causado-nos sensível embaraço, no futuro agradeceremos pela experiência que nos ensinaram.
Pois a vida é feita de experiências, algumas boas, outras nem tanto, mas em realidade todas são pedagógicas objetivando nos fazer melhorar como seres humanos.
Lembro-me de  amigo que agradecia eternamente pelo desemprego que enfrentara por longos anos de sua vida, dizia ele:
-         Graças a esse tempo de desemprego fui obrigado a refletir no porquê de minha instabilidade profissional,  percebi assim que o problema estava comigo e que minhas atitudes irresponsáveis estavam causando mal a mim e minha família, hoje dou graças a todos que não passaram a mão em minha cabeça, pois a falta de disciplina premia a incoerência e cria  abusos. Graças a todas essas pessoas hoje sou mais responsável, coerente e valorizo realmente o que conquisto.
  O caminho é este mesmo, agradecer, lembrar com carinho das pessoas, dos momentos, das situações, pois são eles nossos professores na estrada da vida, se muito sabemos, se muito conquistamos,  devemos a esse intenso intercâmbio que temos uns com os outros.
Pensemos nisso!

sábado, 23 de abril de 2011

PÁSCOA


Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.

Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.

O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.

A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.

Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante.
Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas.
É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.


Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa.
Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa.
Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado neste último filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.
No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico.
As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos.
Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem. Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”.
E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.
A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra. Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe.
Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.
Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a Vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.