sexta-feira, 18 de março de 2011

  Pai, não nos deixes cair em tentação
Na belíssima oração ensinada por Jesus aos apóstolos, a qual denominamos “Pai-Nosso” (Mateus, 6:9-13), consta, já na sua última parte, a seguinte frase: “Não nos deixes cair em tentação”. É importante que meditemos sobre isso, evitando interpretações errôneas das palavras do Mestre.
“Tentação” origina-se do verbo latino “tentare”, que significa: tocar, sondar, arrastar, examinar, experimentar, ensaiar, procurar seduzir, corromper... Portanto, “tentação” é a “pessoa ou coisa que tenta o homem, que o instiga ao erro”.
Não há dúvida quanto ao objetivo da tentação. A Benfeitora Joanna de Ângelis afirma: “A tentação representa uma avaliação em torno das conquistas do equilíbrio, por parte de quem busca o melhor, na trilha do aperfeiçoamento próprio”.
O homem tem que viver diferentes situações difíceis e antagônicas, a fim de aprender o certo e o errado, adquirir experiências e saber escolher bem (livre-arbítrio), o que o leva a evoluir. Logo, como nos diz Rodolfo Calligaris, tentações são “[...] uma espécie de exame ou sistema de aferição de nosso adiantamento”, onde os homens que as vencem “[...] adquirem novas forças e elevam-se a níveis superiores”, enquanto “os que [a elas] sucumbem estacionam e vão repetindo as lições da vida, até que as aprendam suficientemente”.
Em O Livro dos Espíritos, temos a resposta à pergunta 712a – Qual o objetivo dessa tentação? –, (referindo-se ao atrativo dos bens materiais): “Desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos”.
Assim, até que o homem evolua e se mantenha firme na senda do bem, as tentações estarão em seu caminho...
Duas são as origens das tentações: do próprio interior do ser humano e exterior a ele. A que está no íntimo do indivíduo é, na realidade, a primária, decorrente dos vestígios de antigas ações equivocadas, a qual marca atualmente, com tendências, embora fugidias, para o erro de certo modo voluntário (pois já conhece as Leis de Deus). Como nos diz Emmanuel: “Qual acontece com a árvore, a equilibrar-se sobre as próprias raízes”, o homem, no presente, respira “[...] o influxo do passado”.
Desse modo, a tentação “[...] surge fundamentalmente de nós – na trama de sombra em que se nos enovelam [ainda...] os pensamentos...”; é a carga de sombra que trazemos em nós, de existência em existência.
A origem das tentações, exterior ao homem, deve-se à atuação de Espíritos ainda inferiores, os quais simplesmente se aproveitam de seus pendores até agora viciosos, isto é, suas brechas espirituais que, invigilante, abre mediante pensamentos, sentimentos e ações negativos.
Essa influência perniciosa começa por suaves “[...] debuxos mentais que nos incomodam levemente, de início, no campo dessa ou daquela idéia infeliz, gradualmente se fazem quadros enormes e inquietantes em que se nos aprisionam os sentimentos, que passam, muita vez, ao domínio da obsessão manifesta”.
O Espiritismo magnificamente nos ajuda a entender como podemos ser assim influenciados, quando nos esclarece que o mundo espiritual nos rodeia e nosso pensamento é energia, que vibra em determinada freqüência, através da qual sintonizamos com Espíritos que nela também vibram, sendo eles atraídos por nós. Por conseguinte, se pensarmos “mal”, com quem estaremos sintonizando?...
Daí a freqüente advertência de Jesus: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação!” (Marcos,14:38), a fim de nos protegermos dela, que se nos apresenta das mais numerosas e diferentes formas: discreta e comedida no princípio, enlevante, às vezes voraz e atordoante, insaciável mesmo, não raro disfarçada de desculpa mentirosa, sempre nos levando a repetir equívocos dolorosos...
E tentação aceita, só nós somos os responsáveis pelos sofrimentos daí decorrentes, já que não “vigiamos” devidamente...
Que fique bem claro, para nós, que o “não nos deixes cair em tentação” do Pai-Nosso não pode significar pedido de afastamento das provas, que ainda nos são necessárias ao crescimento espiritual.
Rogamos, sim, assistência à nossa fraqueza, através da inspiração do Cristo e de seus Enviados de Luz, para que resistamos às sugestões de irmãos ainda imersos na sombra, os quais, infelizes, tentam nos desviar da senda do bem.
Embora assistidos e auxiliados pelo Alto, o esforço tem que ser nosso (uso do livre-arbítrio), para mantermos o propósito inquebrantável de só pensar, desejar e realizar o bem, corrigindo nossas imperfeições...
A Doutrina Espírita também nos elucida que sempre podemos superar o mal, que só parece irresistível aos que nele se alegram e acomodam: o mal não constitui fatalidade para ninguém!
Por isso, mobilizemos nossa vontade para encetar o “bom combate” contra nós mesmos, isto é, em nosso próprio favor. E usemos o poderoso antídoto recomendado por Emmanuel: “[...] o cultivo da bondade incessante é o recurso eficaz contra o assédio de toda influência perniciosa”.
Aliemos a vigilância e a oração ao trabalho no bem, e estaremos prevenidos e protegidos contra as tentações por invencível escudo, sob as doces bênçãos do Pai e de Jesus.



Ivone Molinaro Ghiggino
Fonte: Revista Reformador

sexta-feira, 4 de março de 2011


SOBRE O CARNAVAL
“Atrás do trio elétrico só não vai que já morreu...”. – Caetano Veloso
“Atrás do trio elétrico também vai quem já “morreu”...”.

      Ao contrário do que reza o frevo de Caetano Veloso, não são somente os “vivos” que formam a multidão de foliões que se aglomera nas ruas das grandes cidades brasileiras ou de outras plagas onde se comemore o Carnaval.

      O Espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval.

      Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis. Se antes de compor sua famosa canção o filho de Dona Canô tivesse conhecido o livro “Nas Fronteiras da Loucura”, ditado ao médium Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, talvez fizesse uma letra diferente e, sensível como o poeta que é, cuidaria de exortar os foliões “pipoca” e aqueles que engrossam os blocos a cada ano contra os excessos de toda ordem. Mas como o tempo é o senhor de todo entendimento, hoje Caetano é um dos muitos artistas que pregam a paz no Carnaval, denunciando, do alto do trio elétrico, as manifestações de violência que consegue flagrar na multidão.

      No livro citado, Manoel Philomeno, que quando encarnado desempenhou atividades médicas e espiritistas em Salvador, relata episódios protagonizados pelo venerando Espírito Bezerra de Menezes, na condução de equipes socorristas junto a encarnados em desequilíbrios.

      Philomeno registra, dentre outros pontos de relevante interesse, o encontro com um certo sambista desencarnado, o qual não é difícil identificar como Noel Rosa, o poeta do bairro boêmio de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, muito a propósito, integrava uma dessas equipes socorristas encarregadas de prestar atendimento espiritual durante os dias de Carnaval.

      Interessado em colher informações para a aprendizagem própria (e nossa também!), Philomeno inquiriu Noel sobre como este conciliava sua anterior condição de “sambista vinculado às ações do Carnaval com a atual, longe do bulício festivo, em trabalhos de socorro ao próximo”. Com tranqüilidade, o autor de “Camisa listrada” respondeu que em suas canções traduzia as dores e aspirações do povo, relatando os dramas, angústias e tragédias amorosas do submundo carioca, mas compreendeu seu fracasso ao desencarnar, despertando “sob maior soma de amarguras, com fortes vinculações aos ambientes sórdidos, pelos quais transitara em largas aflições”.

      No entanto, a obra musical de Noel Rosa cativara tantos corações que os bons sentimentos despertados nas pessoas atuaram em seu favor no plano espiritual; “Embora eu não fosse um herói, nem mesmo um homem que se desincumbira corretamente do dever, minha memória gerou simpatias e a mensagem das músicas provocou amizades, graças a cujo recurso fui alcançado pela Misericórdia Divina, que me recambiou para outros sítios de tratamento e renovação, onde despertei para realidades novas”.

      Como acontece com todo espírito calceta que por fim se rende aos imperativos das sábias leis, Noel conseguiu, pois, descobrir “que é sempre tempo de recomeçar e de agir” e assim ele iniciou a composição de novos sambas, “ao compasso do bem, com as melodias da esperança e os ritmos da paz, numa Vila de amor infinito...”.

      Entre os anos 60 e 70, Noel Rosa integrava a plêiade de espíritos que ditaram ao médium, jornalista e escritor espírita Jorge Rizzini a série de composições que resultou em dois discos e apresentações em festivais de músicas mediúnicas em São Paulo.

      O entendimento do Poeta da Vila quanto às ebulições momescas, é claro, também mudou:
- “O Carnaval para mim, é passado de dor e a caridade hoje, é-me festa de todo, dia, qual primavera que surge após inverno demorado, sombrio”.

A carne nada vale:

      O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes, é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra.

      Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade. A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.

      Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.

      Bezerra cita os estudiosos do comportamento e da psique da atualidade, “sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira silaba de cada palavra compõe o verbete carnaval”.

      Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê o corpo, a matéria, como inicio e fim em si mesmo, a causa de tal desregramento.

      Esse comportamento afeta inclusive aqueles que se dizem religiosos, mas não têm, em verdade, a necessária compreensão da vida espiritual, deixando-se também enlouquecer uma vez por ano.

Processo de loucura e obsessão:

      As pessoas que se animam para a festa carnavalesca e fazem preparativos organizando fantasias e demais apetrechos para o que consideram um simples e sadio aproveitamento das alegrias e dos prazeres da vida, não imaginam que, muitas vezes, estão sendo inspiradas por entidades vinculadas às sombras. Tais espíritos, como informa Manoel Philomeno, buscam vitimas em potencial “para alijá-las do equilíbrio, dando inicio a processos nefandos de obsessões demoradas”.

      Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres perturbadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.

      Esse processo sutil de aliciamento esclarece o autor espiritual, dá-se durante o sono, quando os encarnados, desprendidos parcialmente do corpo físico, fazem incursões às regiões de baixo teor vibratório, próprias das entidades vinculadas às tramas de desespero e loucura. Os homens que assim procedem não o fazem simplesmente atendendo aos apelos magnéticos que atrai os espíritos desequilibrados e desses seres, mas porque a eles se ligam pelo pensamento, “em razão das preferências que acolhem e dos prazeres que se facultam no mundo íntimo”. Ou seja, as tendências de cada um, e a correspondente impotência ou apatia em vencê-las, são o imã que atrai os espíritos desequilibrados e fomentadores do desequilíbrio, o qual, em suma, não existiria se os homens se mantivessem no firme propósito de educar as paixões instintivas que os animalizam.

      Há dois mil anos. Tal situação não difere muito dos episódios de possessão demoníaca aos quais o Mestre Jesus era chamado a atender, promovendo as curas “milagrosas” de que se ocupam os evangelhos. Atualmente, temos, graças ao Espiritismo, a explicação das causas e conseqüências desses fatos, desde que Allan Kardec fora convocado à tarefa de codificar a Doutrina dos Espíritos. Conforme configurado na primeira obra da Codificação – O Livro dos Espíritos -, estamos, na Terra, quase que sob a direção das entidades invisíveis: “Os espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?”, pergunta o Codificador, para ser informado de que “a esse respeito sua (dos espíritos) influência é maior do que credes porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem”. Pode parecer assustador, ainda mais que se se tem os espíritos ainda inferiorizados à conta de demônios.

      Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando, como já dito, sintonizamos na mesma freqüência de pensamento, também obtemos, pelo mesmo processo, o concurso dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus. Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de “orar e vigiar” que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a praticada caridade desinteressada. Esta última é a característica de espíritos como Bezerra de Menezes, que em sua última encarnação fora alcunhado de “o médico dos pobres” e hoje é reverenciado no meio espírita como “o apóstolo da caridade no Brasil”.

Fonte:
Revista Visão Espírita.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O médium Chico Xavier vai receber uma homenagem especial no Carnaval deste ano. Em uma das alas da escola de samba Unidos do Viradouro, o médium será representado por uma escultura que vai fazer um movimento, como se estivesse psicografando uma mensagem. O setor foi inspirado no filme “Nosso Lar”, do diretor Wágner de Assis, e vai contar com o protagonista da produção, o ator Renato Prieto. A Unidos do viradouro será a  3ª escola a desfilar pelo grupo de acesso do Carnaval carioca, no sábado, dia 5 de março.

Nota de Esclarecimento – Chico Xavier e o Carnaval Carioca

Às Entidades Federativas Estaduais,
Confira a “NOTA DE ESCLARECIMENTO” sobre notícias relacionadas com o carnaval carioca.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Tendo em vista inúmeras manifestações recebidas relacionadas com o anúncio de homenagens que se pretende prestar ao Espiritismo e a Chico Xavier no carnaval carioca, que enfoca a importância da comunicação dos homens com o mundo espiritual, a Federação Espírita Brasileira – FEB informa que tomou conhecimento desse assunto quando da sua publicação, não sendo correta a interpretação de que tenha participado de prévio entendimento.
A FEB esclarece, também, que continua empenhada em promover a difusão da Doutrina Espírita, nos moldes e na forma compatível com os seus princípios doutrinários, com seriedade, dignidade e elevação espiritual.
A FEB esclarece, finalmente, que respeita o direito de todos os que, no uso de sua liberdade de ação, agem no mesmo sentido de colocar a mensagem consoladora e esclarecedora dos ensinos espíritas ao alcance e a serviço de todas as pessoas, onde elas se encontrem, orientando, todavia, para que esse trabalho seja sempre feito preservando os seus valores éticos e doutrinários.
Brasília, 18 de fevereiro de 2011.
Assessoria de Comunicação da FEB

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Lei de Destruição

Christiano Torchi

Desde os tempos remotos, há bilhões de anos, quando os primeiros habitantes do orbe ainda eram animálculos unicelulares, abrigados no seio das águas tépidas dos mares, a saga evolutiva dos seres vivos sempre foi marcada pela constante luta pela sobrevivência, em que duelam dois instintos: o da conservação e o da destruição. Para sustentar a vida, as criaturas precisam de energia, que encontram nos alimentos. Nessa faina, impulsionadas pelo instinto, entredevoram-se mutuamente.

É quando se opera o ciclo de transferência de energia e de nutrientes, que segue numa espiral infinita. Em uma das pontas dessa cadeia estamos nós, que também nos alimentamos dos vegetais e das vísceras dos animais, “nossos irmãos inferiores”.1

Não bastasse isso, os hóspedes da casa planetária têm, ainda, que enfrentar os flagelos naturais que ameaçam a vida e outros valores, causando grande sofrimento. Essa constatação, impactante a princípio, já nos dá uma ideia da faixa evolutiva em que ainda nos situamos,apesar da idade estimada do Planeta em 4,6 bilhões de anos.2

Todavia, os mentores celestes, por meio do Espírito André Luiz, informam que o homem lida com a razão há apenas 40 mil anos, aproximadamente. Assim, cálculos elementares nos levam a concluir que estamos ainda nas primeiras lições da cartilha da vida. Não é sem razão que o comportamento social da criatura humana, blindado com o verniz da civilização, ainda apresenta os atavismos de competição e beligerância:

[...] com o mesmo furioso ímpeto com que o homem de Neandertal aniquilava o companheiro, a golpes de sílex, o homem da atualidade, classificada de gloriosa era das grandes potências, extermina o próprio irmão a tiros de fuzil.3

Por isso, a convivência em sociedade, muitas vezes marcada pela opressão e pela violência de todos os tipos contra o semelhante, é interpretada por algumas pessoas com fundamento no célebre aforismo, cunhado pelo filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), de que “o homem é o lobo do homem”.

Que razões teria a Sabedoria Divina para estabelecer entre os seres vivos, como regra da natureza, a luta pela sobrevivência, a destruição recíproca e a destruição pelos flagelos naturais? Estariam esses princípios em consonância com a bondade e a justiça do Criador? O estudo das Leis Morais reveladas em O Livro dos Espíritos abre uma ampla visão filosófica e científica, baseada na unidade da criação, na imortalidade, na reencarnação e no progresso dos seres, que permite um entendimento melhor dos propósitos superiores da Inteligência Suprema, em que “as aquisições de cada indivíduo resultam da lei do esforço próprio no caminho ilimitado da Criação”4 (Grifo nosso):

[...] Só o conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua verdadeira essência, e o da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da criação, pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia, exatamente onde apenas vê uma anomalia e uma contradição.5

O homem começa a perceber que também integra os ecossistemas, tanto que já propugna pela substituição do modelo de desenvolvimento atual, ecologicamente predatório,
socialmente perverso e politicamente injusto, por outro sustentável, que tem por divisa progredir sem destruir.Mas será que é possível progredir sem destruir? Em caso afirmativo, onde estariam os limites éticos da destruição? Destruição, no sentido comum, significa extinção, aniquilamento. Sob o ponto de vista espírita, contudo, a Lei de Destruição é transformação, metamorfose, tendo por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.

A destruição tem dupla finalidade: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do envoltório exterior que sofre a destruição: [...] É esse equilíbrio dinâmico  baseado em sofisticadas engrenagens que regem a vida e a morte  que assegura a perenidade dos ecossistemas e dos seres vivos que neles existem.6

A parte essencial do ser pensante (elemento inteligente) é distinta do corpo físico e não se destrói com a desintegração deste. Logo, a verdadeira vida, seja do animal, seja do homem, não está no organismo físico. Está no princípio inteligente, que preexiste e sobrevive ao corpo material, que se consome nesse trabalho, ao contrário do Espírito, que sai daquele cada vez mais forte, mais lúcido e mais apto. Enfim, a vida e a morte, dentro do planejamento divino, se apresentam como faces da mesma moeda:

[...] a lei de destruição é, por assim dizer, o complemento do processo evolutivo, visto ser preciso morrer para renascer e passar por milhares de metamorfoses, animando formas corporais gradativamente mais aperfeiçoadas, e é desse modo que, paralelamente, os seres vão passando por estados de consciência cada vez mais lúcidos, até atingir, na espécie humana, o reinado da razão.7

O instinto de destruição coexiste com o de conservação, a título de contrapeso, de equilíbrio, para que a primeira não se dê antes do tempo, visto que toda destruição antecipada constitui obstáculo ao desenvolvimento da inteligência, motivo pelo qual Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir.

Há dois tipos de destruição: a destruição natural e a destruição abusiva. A destruição natural opera-se com o objetivo de manter o equilíbrio dos ecossistemas, como, por exemplo, na morte natural dos corpos pela velhice, nos incêndios naturais das matas que dizimam pragas, na erupção de vulcões, nos terremotos, nas cheias dos rios, que regulam os ciclos de renovação da vida.

Os flagelos naturais que ceifam a vida de milhares de pessoas não constituem meros acidentes da Natureza, uma vez que o globo não está sob a direção de forças cegas. Ninguém sofre sem uma razão justa. Tais fenômenos representam fator de elevação moral, com vistas à felicidade dos indivíduos. Além de favorecerem o desenvolvimento da inteligência ante os desafios, auxiliam o desabrochar dos sentimentos, tais como paciência, resignação, solidariedade e amor ao próximo. Isto é, [...] as comoções do globo são instrumentos de provações coletivas, ríspidas e penosas. Nesses cataclismos, a multidão resgata igualmente os seus crimes de outrora e cada elemento integrante da mesma quita-se do pretérito na pauta dos débitos individuais.8

Já a destruição abusiva, que exprime faces diferentes da violência, é aquela provocada de forma predatória, com fins egoísticos, a pretexto de prover o sustento alimentar ou para satisfazer paixões e necessidades supérfluas, a exemplo do consumismo desenfreado, das caçadas de animais, das touradas. Sem embargo da destruição abusiva, o homem também ofende gravemente a lei divina quando assassina, quando pratica o suicídio e o aborto ilícito, quando provoca guerras etc. Os animais, por terem no instinto um guia seguro, somente destroem para satisfação de suas próprias necessidades, mas o homem, dotado de livre-arbítrio, nem sempre utiliza sua liberdade com sabedoria, sujeitando-se ao princípio de causa e efeito.

As leis divinas são perfeitas! A necessidade de destruição tende a desaparecer, à medida que o homem (Espírito encarnado), pela evolução intelectual e moral, sobrepuja a matéria. À proporção que adquire senso moral, vai desenvolvendo a sensibilidade e tomando aversão à violência. É quando passa a ver no seu semelhante não mais o “lobo”, mas o companheiro necessitado de amparo e de solidariedade. Entretanto, ainda que se despoje dos sentimentos belicosos, o homem, até que desenvolva plenamente o Espírito, sempre estará sujeito aos desafios da luta humana, cuja superação depende do trabalho, do esforço, da experiência e do conhecimento:

[...] Mas, nessa ocasião, a luta, de sangrenta e brutal que era, se torna puramente intelectual. O homem luta contra as dificuldades, não mais contra os seus semelhantes.9

Há, da parte das instituições, grande preocupação com o desequilíbrio ambiental, com o crescimento demográfico e as desigualdades sociais, com a miséria, a criminalidade,
a corrupção. As medidas tópicas, de ordem econômica, tecnológica, muitas delas com a utilização da força bruta, não alcançam as verdadeiras causas do problema, que estão na ausência de educação moral do Espírito, educação essa que deve iniciar desde a infância como forma preventiva.

É possível colher os benefícios de uma vida sóbria, sem necessidade de agir com violência ou de destruir o próximo: “A vida é muito menos uma luta competitiva pela sobrevivência do que um triunfo da cooperação e da criatividade”.10 Que o homem não se iluda: sem dominar a si mesmo, ele jamais dominará a Natureza.

Referências:
1 XAVIER, Francisco C. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 17, it. Os animais – nossos parentes próximos, p. 122.
2 Disponível em: .Acesso em 28/11/ 2010.
3 XAVIER, Francisco C. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 1, p. 18.
4 Idem. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp.Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 86.
5 KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 3, it. 20.
6 TRIGUEIRO, André. Espiritismo e ecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. Lei de destruição.
7 CALLIGARIS, Rodolfo. As leis morais. 15. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. A lei da destruição. Apud ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo sistematizado da doutrina espírita. Programa fundamental. Tomo 2. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Módulo 13, rot. 1, p. 99.
8 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 88.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

 QUANDO O AMOR INSPIRA

"Chamo-me Caridade, sigo o caminho principal que conduz a Deus. Acompanhai-me, pois conheço a meta a que deveis todos visar. Dei esta manhã o meu giro habitual e, com o coração amargurado, venho dizer-vos: - Oh, meus amigos, que de misérias, que de lágrimas, quanto tendes de fazer para secá-las todas!..."

..."Alhures vi, meus amigos, pobres velhos sem trabalho e, em consequência, sem abrigo, presas de todos os sofrimentos da penúria e envergonhados de sua miséria, sem ousarem, eles que nunca mendigaram, implorar a piedade dos transeuntes. Com o coração túmido de compaixão, eu, que nada tenho, me fiz mendiga para eles e vou, por toda a parte, estimular a beneficência, inspirar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Por isso é que aqui venho, meus amigos, e vos digo: - Há por aí desgraçados, em cujas choupanas falta o pão, os fogões se acham sem lume e os leitos sem cobertores. Não vos digo o que deveis fazer; deixo aos vossos corações a iniciativa. Se eu vos ditasse o proceder, nenhum mérito vos traria a vossa boa ação. Digo-vos apenas: - Sou a Caridade e vos estendo as mãos pelos vossos irmãos que sofrem." *37.

"Quando vós perdoardes aos vossos irmãos, não os contenteis com o estender o véu do esquecimento sobre suas faltas, porquanto, as mais das vezes, muito transparente é esse véu para os olhares vossos. Levai-lhes simultaneamente, com o perdão, o amor; fazei por eles o que pediríeis fizesse o vosso Pai Celestial por vós. Substitui a cólera que conspurca, pelo amor que purifica. Pregai, exemplificando, essa caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou; pregai-a, como ele o fez durante todo o tempo que esteve, na Terra, visível aos olhos corporais, e como ainda a prega incessantemente, desde que se tornou visível tão somente aos olhos do Espírito. Segui esse modelo divino; caminhai pelas suas pegadas; elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o repouso após a luta. Como ele, carregai todos vós as vossas cruzes e sub penosamente, mas com coragem, o vosso calvário, em cujo cimo está a glorificação. *38.


*37. O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. XIII - Comunicação do Espírito de Cárita.
*38. Idem, idem, Cap. X - Comunicação do Espírito de João, bispo de Bordéus.

(De "A tragédia de Santa Maria", de Ivonne A. Pereira, pelo Espírito Bezerra de Menezes).

 Mensagem ao Movimento Espírita

Meus filhos, que Jesus nos abençoe.
Estamos no limiar de uma nova era e no crepúsculo da cultura e da civilização do passado.
Abrem-se-nos as perspectivas de um período novo que vem sendo anunciado através dos evos.
Momento grave este que vivemos no Planeta, quando os valores éticos enobrecidos cedem lugar ao desequilíbrio e às manifestações do primitivismo, que devem desaparecer da estrutura psicológica da criatura humana.
A decadência da ética e a revolução que se apresenta como indispensável para as novas propostas de valorização da criatura humana asfixiam a identidade superior do Espírito, reduzindo-a a escombros que se demoram no letargo das paixões inferiores.
Faz-se-nos imprescindível a coragem da fé, a fim de arrostarmos as conseqüências da luta que nos é imposta para preservação das leis morais exaradas na Doutrina Espírita, restaurando o pensamento pulcro de Jesus.
Momento difícil este, em que a criatura sente-se aturdida, sem parâmetro para selecionar os valores que lhe devem conduzir o comportamento. Instante grave, em que as injunções penosas cerceiam os ideais de enobrecimento, relegando-os a plano secundário. Hora apocalíptica, em que as tentações de alto e de pequeno porte contaminam os menos preocupados com a verdade e os poucos distraídos das responsabilidades mais elevadas. É, também, o do chamamento para a decisão que deve caracterizar aqueles que ouvimos Jesus e nos comprometemos com Ele em regime de totalidade.
Tende cuidado, porque, na hora da demolição das construções antigas e perversas, é possível que muitas edificações enobrecidas sejam postas abaixo pela fúria destruidora. Permanecei vigilantes, porque as provocações da insensatez e as manifestações de agressividade chegar-vos-á às portas do sentimento, perturbando-vos e arrastando-vos a situações lamentáveis, de que vos dareis conta de imediato, porém, tardiamente.
É necessário porfiardes  no dever, abraçando a cruz da renúncia pessoal e deixando-vos levar ao holocausto, para que o gesto estóico transforme-se no momento heróico da nossa doação plena e total.
Jesus, meus filhos, ainda permanece ignorado pela sociedade contemporânea. Jesus das largas caminhadas entre as praias de Cafarnaum e a aldeia da Magdala, das águas tépidas do Genesaré à aridez das altas montanhas da Judéia. Aquele que, por coragem, preferiu perder tudo quanto o mundo pretende oferecer para preservar-se fiel aos valores do Pai, que trazia, a fim de construir o homem do futuro, que vem sendo desenhado há dois mil anos a somente agora se corporifica na sociedade sofrida.
Sabemos que estais cansado do prazer anestesiante, do gozo alucinado, que tem conduzido as multidões às patologias graves do comportamento desequilibrado. Nunca, porém, os estados de consciência alterada facultaram intercâmbio com a vida transcendente em escala poderosa como hoje.
A mediunidade, a serviço do Senhor, tem ampliado os horizontes da Terra, nem sempre exitosamente.
Os ouropéis do mundo, os triunfos enganosos, os aplausos de mentira e os “spotlights” das fanfarronadas humanas têm-se responsabilizado pelo malogro de idealistas que se comprometeram a servir e não suportaram as pressões da governança terrestres nem das posições elevadas do mundo.
Sede vós, aqueles que possais disputar a honra de servir e de passar, ignorados talvez, nunca ignorantes da verdade, desprezados possivelmente, jamais desprezíveis diante da consciência ilibada.
Hoje ou nunca mais, neste momento grave se repetirá o chamado do Senhor para nós. Esta oportunidade definir-nos-á os rumos do futuro e vós prometestes seguir as pegadas de Jesus, fiéis `Revelação Espírita, conforme no-la ofereceu o discípulo fiel, que foi Allan Kardec.
Não há mais tempo para as discussões estéreis nem para as frivolidades das opiniões personalistas em detrimento dos lídimos da fraternidade, do amor e da caridade.
Sede vós os lutadores autênticos, preparadores da era que começa, nesta noite histórica, precedendo a alvorada de luz, de liberdade e de paz.
“Eis que vos mando como ovelhas mansas ao meio de lobos rapaces” – disse Jesus – e estais na Terra como ovelhas mansas, porém decididas, conscientes da vossa responsabilidade.
Não temais, porque somente lobos tombam nas armadilhas de lobos. E, fiéis ao compromisso firmado, chegareis ao país da plenitude, com consciência tranqüila e o coração pacificado, na condição de servos que apenas cumpristes com os vossos deveres.
Que o Senhor nos preserve de nós mesmos e o Seu amor nos coroe a vida, dulcificando-nos a existência.
Muita paz, meus filhos, são os votos que formula o servidor humílimo e paternal de sempre.
BEZERRA

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Acolhimento dos simples

Antonio Cesar Perri de Carvalho
Na trajetória do Movimento Espírita sempre foi muito marcante a ação dos espíritas no atendimento dos socialmente carentes. Esta dedicação contribuiu significativamente para se assegurar a respeitabilidade dos espíritas junto à comunidade, aos poderes públicos e à mídiaTodavia, se historicamente esse é um fato inconteste, a simples observação mais ampla dos frequentadores dos centros espíritas e alguns dados estatísticos sobre o perfil dos espíritas, desde os anos 19901 até esta década,2 apontam para a realidade de que, usualmente, a frequência às reuniões espíritas está concentrada em pessoas da faixa social média e, em algumas regiões, com ligeira tendência para patamares superiores. Ou seja, os integrantes das faixas sociais menos dotadas geralmente comparecem mais como assistidos e, em proporção, são menos representativos até como espíritas declarados.

É chegado o momento de avaliarmos as causas que levam a esse cenário. Quais as razões de o Espiritismo não ter sido efetivamente difundido e/ou não se comunicar mais facilmente entre os mais simples? Por que há poucos, ou inexistem, centros espíritas nos bairros mais periféricos? Sugerimos que sejam analisadas a adequação e a compatibilidade dos centros espíritas para o atendimento da Diretriz 1 do “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2007-2012)” onde há a recomendação:

Difundir a Doutrina Espírita, através do seu estudo, da sua divulgação e da sua prática, colocando-a ao alcance e a serviço de todas as pessoas, indistintamente, independentemente de sua condição social, cultural, econômica ou de sua faixa etária.3

Com esse parâmetro, algumas questões sobre o fluxo de pessoas dentro do Centro Espírita merecem reflexões e avaliações: a recepção e o atendimento fraterno aos novatos; os esclarecimentos sobre as atividades da instituição; o real acolhimento, como o enlaçamento fraterno aos frequentadores e colaboradores, propiciando, inclusive, eventuais visitas aos seus lares; orientação e apoio às reuniões de Evangelho no lar; o nível das exposições nas reuniões públicas; o nível e a duração dos cursos oferecidos; as opções de atuação, atendendo-se à diversidade das condições das pessoas que se dispõem a colaborar; o atendimento às necessidades de apoio, orientação e equilíbrio a problemas mediúnicos; a disponibilidade de livros com conteúdo, redação e preço compatíveis com as faixas sociais mais simples, e algumas outras opções que se caracterizam como prática da fraternidade e da caridade de natureza espiritual.

Desde as obras da Codificação, há considerações oportunas sobre o acolhimento e atendimento dos mais simples, como em “Missão dos espíritas”:

Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas
, aos pequenos e simples que a aceitarão [...].4

Há subsídios recentes e interessantes que robustecem a citada orientação de Erasto:

[...] deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana, evitando excessos de consagração das elites culturais na Doutrina Espírita, embora necessitemos sustentá-las e cultivá-las com respeitosa atenção, mas nunca em detrimento dos nossos irmãos em Humanidade, que reclamam amparo, socorro, esclarecimento e rumo.
[...] Não consigo entender o Espiritismo, sem Jesus e sem Allan Kardec para todos, a fim de que os nossos princípios alcancem os fins a que se propõem.5
Nós deveremos trabalhar muito pela disciplina na Casa Espírita, mas não podemos olvidar dos sentimentos, tendo em mente que um grande número de neófitos, que busca nossa Casa, é constituído por pessoas muito sofridas, que não encontraram respostas além, e vêm até nós buscando entendimento, cordialidade. Eis uma das funções do Atendimento Fraterno, porque graças a um bom Atendimento Fraterno, a pessoa se sente em casa.6

Avançai no rumo do progresso estendendo, porém, a mão generosa e o coração afável àquele que se encontra na retaguarda, necessitado de carinho e de ensejo iluminativo. Dai-lhe o pão, mas também a luz, na verdade, oferecei a informação doutrinária para demonstrar-lhe quanto vos faz bem esse conhecimento, em face das transformações morais para melhor, que vos impusestes, logrando os primeiros êxitos...7

Esses norteamentos dispõem de recomendações gerais para ações no Centro e no Movimento Espírita nos documentos de trabalho aprovados pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, além do já citado “Plano de Trabalho”, principalmente no capítulo “Atendimento Espiritual no Centro Espírita”, em Orientação ao Centro Espírita8 e no item “Incentivar a criação de Centros Espíritas
em bairros e cidades, quando necessário”, em Orientação aos Órgãos de Unificação.9

Ponderamos também que para esclarecimentos evangélicos à luz do Espiritismo direcionados a
pessoas simples, livros com lições ensinadas pelo Mestre – no estilo de Jesus no Lar –,10 são oportunos para o entendimento da mensagem cristã. Sem qualquer ideia de proselitismo, entendemos que o acolhimento dos simples no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempos que vivemos. Lembramos que o Espiritismo está no momento preciso para cumprir seu papel – de consolo, apoio, esclarecimento e contribuição para a libertação espiritual –, notadamente na etapa da grande transição que já vivemos:

[...] o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.11

Referências:
1 CARVALHO, Antonio C. Perri de. Espiritismo e modernidade. Visão de sociedade, família, centro e movimento espíritas. São Paulo: USE, 1996. p. 88-92.
2 IBGE. Perfil das despesas no Brasil. Disponível em: . Acesso em 17/11/2010.
3 PLANO DE TRABALHO PARA O MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO (2007-2012). In: Reformador. ed. esp. ano 125, n. 2.140A, p. 30, jul. 2007.
4 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 20, it. 4.
5 CARVALHO, Antonio C. Perri de. Chico Xavier – O homem e a obra. São Paulo: USE, 1997. p. 80-81.
6 FRANCO, Divaldo P. Conversa fraterna: Divaldo Franco no Conselho Federativo Nacional. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. p. 28.
7 ______. Vivência do amor. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. In: Reformador. ed.esp. ano 125, n. 2.138A, p. 37-38, mai. 2007
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